21/08/2026
A31 | Hotel 5 Estrelas Puhua | China
Em 2010 fomos convidados a desenvolver, em equipa multidisciplinar, um estudo para um hotel de 5 estrelas integrado no complexo residencial Europe City, na China.
A proposta previa um hotel com 350 quartos e suites, organizado a partir de um embasamento aberto à grande praça pública, concentrando restaurantes, espaços de eventos, conferências, SPA, fitness e outros serviços destinados não apenas aos hóspedes, mas também à população do empreendimento.
Sobre este embasamento elevava-se o volume dos quartos, assumindo-se como uma referência vertical na paisagem do novo conjunto urbano.
O projecto acabou por não avançar... Mas, olhando para ele 16 anos depois, talvez o aspecto mais interessante seja perceber porquê.
A nossa equipa levou para a China aquilo que entendia como uma abordagem europeia contemporânea: contenção formal, simplicidade, funcionalidade e uma leitura clara entre embasamento e torre.
A expectativa local sobre aquilo que deveria representar uma arquitectura de influência europeia era, porém, bastante diferente.
E talvez esteja aqui uma das lições mais interessantes deste projecto.
A arquitectura também é cultura.
Aquilo que uma sociedade reconhece como moderno, tradicional, europeu, luxuoso ou representativo não é necessariamente aquilo que outra entende pelos mesmos conceitos.
Anos mais tarde, no local seria construído um hotel com uma linguagem arquitectónica bastante diferente da que tínhamos proposto.
O nosso ficou no papel.
Não considero, porém, que tenha sido um projecto perdido. Foi uma oportunidade pouco comum de trabalhar noutra escala, noutro contexto e, sobretudo, de perceber que projectar fora do nosso universo cultural implica muito mais do que transportar uma arquitectura de um lugar para outro.
Implica compreender como ela será lida por quem a vai receber.
Autoria: José Castro Silva
Co-autoria: Abel Duarte, Hélder Silva, José Carlos Saraiva e Osvaldo Boavida